Vantagens das próteses do joelho com instrumentação específica

0

Segundo a OMS, a osteoartrose do joelho afeta mais de 135 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo que 80% destes doentes referem limitação ao movimento e 25% não são capazes de realizar as suas atividades diárias. Em muitas situações, a possibilidade de voltar a adquirir funcionalidade e qualidade de vida só é possível com a colocação de uma prótese. As próteses de instrumentação específica aplicada às artroplastias do joelho têm vindo a revelar-se uma técnica segura e muito eficaz, com resultados superiores à técnica convencional.

As osteoartroses do joelho ou gonartroses são, como o nome indica, artroses das articulações do joelho, pertencendo ao grupo das doenças reumáticas degenerativas e progressivas, cuja prevalência e incidência são muito elevadas.

A gonartrose, como todas as osteoartroses, provoca destruição da cartilagem e deformidade da articulação, que se traduz em dor, rigidez e incapacidade funcional. Com a progressão desta condição, os sintomas tornam-se permanentes e a funcionalidade da articulação fica severamente comprometida. As atividades que exijam a mobilidade da articulação do joelho, sobretudo em carga, ficam comprometidas e manifestamente dolorosas, como são subir/descer escadas, sentar/levantar, ajoelhar ou agachar.

ELEVADA PREVALÊNCIA

Em Portugal, o Observatório Nacional de Doenças Reumáticas aponta uma prevalência da osteoartrose do joelho na ordem dos 79,3% para indivíduos na faixa etária entre 65-74 anos, cujo valor aumenta para 87,3% no grupo dos 75 ou mais anos, valores que podem tornar-se superiores no sexo feminino e que deverão aumentar nos próximos anos, tendo em conta a progressão da esperança de vida.

A osteartrose tem uma origem multifatorial, podendo ocorrer por influência genética, distúrbios metabólicos, fenómenos mecânicos, hormonais e biológicos, que alteram o equilíbrio entre a síntese e a degradação da cartilagem e do osso subcondral. Alguns autores acrescentam ainda a associação entre outros fatores, como a sobrecarga da articulação, o excesso de peso, traumatismos (grandes, pequenos ou repetidos), como os que resultam de atividades desportivas ou profissionais, bem como outras doenças reumáticas ou malformações que danificam a articulação de forma progressiva.

SUBSTITUIÇÃO DA ARTICULAÇÃO

Em situações de grande destruição articular ou severa impotência funcional, só a substituição total da articulação do joelho, vulgarmente conhecida por artroplastia total do joelho, pode devolver funcionalidade e qualidade de vida. A colocação de próteses do joelho é uma cirurgia fácil e segura, com uma elevada satisfação por parte dos doentes, fruto da evolução das técnicas cirúrgicas e dos seus materiais.

A substituição da articulação do joelho pode ser parcial, sendo apenas substituída a componente externa ou interna da articulação, ou total, quando há substituição de toda a articulação. Na modalidade de substituição total, os côndilos do fémur e os planaltos da tíbia são removidos e substituídos por material biocompatível, e o ligamento cruzado posterior (tecido que normalmente estabiliza a articulação do joelho, de modo que a perna não deslize para trás em relação ao fémur) pode ser mantido, eliminado ou substituído por polietileno.

Divulga 2BPRÓTESE “POR MEDIDA”

Nos últimos anos, a artroplastia total do joelho ganhou resultados ainda mais rápidos, seguros e eficazes, devido à possibilidade da prótese poder ser fabricada de forma totalmente personalizada, ou seja, através de instrumentação específica, onde são respeitadas as medidas e se reproduz de forma mais fiel a anatomia original do doente, bem como as necessidades individuais de cada utente.

Na instrumentação específica, as imagens são recolhidas por uma ressonância magnética e uma radiografia característica, sendo posteriormente enviadas para um centro na Suíça, onde é realizado um planeamento operatório, caso a caso, doente a doente, planeamento esse que é submetido para aprovação ou correção do cirurgião. Aprovado o planeamento, as imagens são enviadas para um centro nos Estados Unidos, onde são fabricados dois blocos de corte personalizados: um para o fémur e outro para a tíbia. Estes blocos de corte são enviados para o bloco operatório e utilizados no dia da intervenção, com várias vantagens sobre a cirurgia convencional, que utiliza modelos estandardizados, e onde parte das decisões são tomadas intraoperatoriamente, de uma forma menos rigorosa.

VANTAGENS NOTÓRIAS

As vantagens deste método prendem-se com a maior precisão do planeamento cirúrgico, a localização e orientação dos cortes onde se vão colocar os implantes, o que produz um alinhamento mais correto, menor tempo de cirurgia e menor necessidade de transfusão de sangue, além de um tempo de internamento, convalescença e recuperação mais rápidos.

Tratando-se de uma técnica nova, ainda não há resultados que garantam vantagem clínica a longo prazo, mas todos os pressupostos teóricos apontam nesse sentido. A menor agressão cirúrgica deste método permite a realização da cirurgia com maior segurança, particularmente em doentes mais idosos, com maior número de co-morbilidades ou em casos de lesão bilateral.

Relativamente ao processo de reabilitação pós-cirurgia, também os resultados costumam ser mais rápidos e funcionais: a mobilidade e a força são readquiridas mais rapidamente e, quando o doente tem alta, a sua autonomia nas atividades diárias é quase total.

O processo de reabilitação deve, preferencialmente, iniciar-se ainda na fase pré-operatória, com o ensino de exercícios de fortalecimento e mobilidade e, sobretudo, com o ensino da utilização dos dispositivos auxiliares de marcha.

Divulga 2CNeste momento, o Grupo de Ortopedia do Hospital Particular do Algarve está a utilizar o sistema de instrumentação específica em todos os doentes que tenham condição adequada para este método. Esta é a razão pela qual é o centro nacional com maior experiência nesta técnica e tem contribuído para a sua divulgação com comunicações nacionais e internacionais, assim como com estágios de cirurgiões oriundos de outros centros.

Artigo publicado na Edição de Novembro 2015 (nº 255)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA