Sinais de trabalho de parto: como saber se chegou a hora?

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O parto é um momento muito esperado, repleto de expetativas e uma multiplicidade de sentimentos. Encontra-se desde os primórdios associado a dor intensa, muitas horas em “sofrimento” e é, sobretudo, considerado um momento penoso para a mãe, razão pela qual a grávida, com o aproximar do momento do parto, desenvolve mais ansiedade, receio e medo.

Mas a verdade é que o trabalho de parto e o parto são verdadeiros desafios, assumindo-se como um dos momentos mais marcantes da vida de uma mulher/casal e família. Desta forma, ele deve ser vivido de uma maneira muito especial e íntima, tendo o seu culminar no bem mais precioso: o nascimento de um filho. Assim sendo, este momento não deve ser banalizado e sempre que possível deverá ser vivido a três. Devemos respeitar e ter sempre presente que, da mesma forma que cada gravidez é singular, a experiência e a vivência do trabalho de parto e o parto são igualmente diferentes de mulher para mulher, casal e família.

A QUALQUER HORA

Como o próprio nome indica, o trabalho de parto dá “trabalho”, sendo física, psicológica e emocionalmente exigente, mas oferecendo também um desfecho inigualável. Pela sua própria exigência, a mulher/casal grávido deve preparar-se para o grande dia. Assim, torna-se fundamental que todos estejam bem informados acerca dos sinais de trabalho de parto e compreendam como reage o corpo da mulher, qual o papel assumido pelo pai e, sobretudo, como devem interagir até ao nascimento.

Em condições normais, atingido o termo da gravidez, por volta das 37 semanas de gestação e caso não tenha sido agendada cesariana eletiva ou indução do trabalho de parto por razões que o exijam ou justifiquem, é expectável a entrada em trabalho de parto espontâneo. E, sendo espontâneo, pode acontecer a qualquer hora do dia ou da noite e em situações inesperadas. Por isso, a expetativa é grande e a ansiedade aumenta com o culminar da gravidez, acompanhada da grande dúvida: será agora?

Ao longo da gravidez e no âmbito das consultas com o obstetra e com os enfermeiros especialistas em Saúde Materna e Obstetrícia, vão sendo facultadas informações ao casal que lhes permitem encarar o momento com serenidade e que merecem aqui ser relembradas.

ROLHÃO MUCOSO

O rolhão mucoso consiste numa substância gelatinosa que preenche internamente o colo do útero, eventualmente raiado de sangue acastanhado, que é eliminado antes do parto. Não é um sinal de trabalho de parto. Portanto, só por si não é um sinal de alarme, nem determina a ida para a Maternidade. Contudo, indica que este pode estar próximo.

QUE SINAIS ME PODEM LEVAR AO HOSPITAL?

Existem sinais e sintomas que, embora não significando trabalho de parto ativo, requerem vigilância e observação pelos profissionais e que podem revestir-se de extrema importância e urgência. Assim, deve deslocar-se à Maternidade se:

  • Perceber uma redução drástica do padrão de movimentos do bebé ou ausência dos mesmos. Todas as grávidas devem estar instruídas no sentido de contabilizar, pelo menos, 10 movimentos fetais ao longo de 12 horas após as 35 semanas. A partir do momento que começa a sentir movimentos fetais, a grávida deve considerar um sinal de alerta qualquer alteração ao padrão habitual, devendo ser reportada aos profissionais no próprio dia.
  • Se existir perda de sangue. Não confundir este sinal com o rolhão mucoso raiado de sangue, normalmente visível após a micção. Falamos aqui de uma perda de sangue considerável, idêntica ao fluxo menstrual. É um sinal de alarme muito importante e implica a ida imediata para o hospital, para observação médica.
  • Se ocorrer rutura – ou suspeita – da bolsa amniótica. Quando a “bolsa de águas” rompe, os vestígios de líquido amniótico podem ser mais ou menos evidentes consoante a quantidade de líquido perdida. Na grande maioria das vezes, não oferece qualquer dúvida e a perda de líquido é abundante ao ponto de ensopar a roupa. Tem habitualmente um aspeto cristalino, semelhante a urina e de cheiro sui generis. Nesta situação, deve fazer a sua higiene e dirigir-se à Maternidade. Não significa, contudo, que esteja em trabalho de parto (pode não ter contrações nem qualquer dilatação), mas implicará ficar internada.
  • Presença constante de vómitos. Durante o 1º trimestre de gravidez, a sua presença é habitual. Nos restantes trimestres, não é expectável a presença dos mesmos de forma constante, pelo que é sempre uma situação que implica observação médica.
  • Sentir-se inchada. Se esta manifestação não melhora com o repouso e à qual se juntam dores de cabeça intensas, visão dupla ou turva e dores de estômago, deve a grávida deslocar-se à Maternidade.

2 DSC_0026COMO SABER SE ESTOU EM TRABALHO DE PARTO?

O motor do trabalho de parto é a presença de contrações eficazes e capazes de provocar o apagamento e a dilatação do colo do útero a partir dos 3/4 cm. A contração é identificada através da rigidez abdominal por um determinado período. A mesma pode implicar ou não dor a nível pélvico, abdominal e mesmo lombar.

Durante a gravidez e sobretudo perto do tempo final, é normal que a grávida sinta algumas contrações, quase sempre indolores, esporádicas, irregulares (as chamadas contrações de Braxton Hicks), muitas vezes detetadas nos CTG de rotina. Estas revertem com o repouso e não devem ser confundidas com trabalho de parto, pelo que não são motivo para se dirigir à Maternidade.

Para que as contrações sejam consideradas motivo para se deslocar à Maternidade, a grávida ou o casal devem em conjunto definir um padrão. Esse padrão relaciona-se com a monitorização da regularidade das contrações, não sendo possível avaliá-lo num tempo inferior a 60-90 minutos. Em fase ativa de trabalho de parto, as contracções não revertem com o repouso. Pelo contrário, aumentam de regularidade e intensidade e só terminam com o parto. Definido um padrão de contrações, que não cede ao repouso, 10´-10´durante 2 horas ou 5´-5´durante pelo menos 1 hora (dependendo da sua distância à Maternidade), está na altura de se deslocar até ao hospital.

E A DOR DAS CONTRAÇÕES?

As contrações significam que o útero está a contrair e isso provoca desconforto. Dependendo do limiar de dor de cada mulher e muitas vezes do seu estado psicológico (receio/medo do momento do parto), estas contrações podem ser percecionadas como muito fortes, mas suportáveis ou insuportáveis.

ALÍVIO DA DOR

A dor e o sofrimento são os motivos fundamentais pelos quais as mulheres mais temem o parto. No entanto, na atualidade e face aos métodos existentes farmacológicos (analgesia epidural, máscara de gases, medicação endovenosa) e não farmacológicos (deambulação, duche, massagem, bola suíça, bola amendoim e medidas de conforto) e a presença do pai ou de uma pessoa significativa, o parto pode ser encarado com toda a segurança, serenidade e conforto.

As medidas de alívio da dor são questões que devem ser pensadas ao longo da gravidez, com o obstetra, os enfermeiros especialistas (parteiros), ou durante os Cursos de Preparação para o Nascimento e Parentalidade. O casal deve estar informado das diferentes opções que tem à sua disponibilidade, para que possa realizar uma escolha informada do (s) método (s) de alívio da dor que mais se lhe adequa. O casal pode, inclusivamente, elaborar em articulação com a equipa da Maternidade um Plano de Parto para que o trabalho de parto e o parto sejam vividos da forma mais personalizada e humanizada.

SONY DSCATENDIMENTO INTEGRAL

O Hospital Particular do Algarve, concretamente a sua unidade de Gambelas em Faro, oferece-lhe um atendimento integral relativo à Saúde Materno-Infantil, disponibilizado por uma equipa de especialistas, com uma larga experiência nas áreas de Saúde Materna, Neonatalogia e Pediatria – médicos, enfermeiros, psicólogos e terapeutas –, que inclui:

  • Consultas de Diagnóstico Pré-Natal, onde são rastreadas malformações diversas, como as cromossomopatias ou os defeitos abertos do tubo neural, mas também as consultas de hidramnios (líquido amniótico aumentado) e oligoamnios (líquido amniótico reduzido).
  • Consultas de Obstetrícia de Subespecialização em Diabetes, Hipertensão ou Epilepsia Gestacional.
  • Consulta Gratuita de Enfermagem em Saúde Materna.
  • Linha Mamãs 24Horas: 289 830 040.
  • Atividades Educacionais: Preparação para o Nascimento e Parentalidade; Ervilhitas Massagem Sensório Motora; Ervilhas Fit, Pilates ou Yoga.
  • Maternidade 24 Horas.
  • Cuidados Intensivos Neonatais.
  • Atendimento Permanente Pediátrico 24 Horas.

 

Artigo publicado na Edição de fevereiro 2016 (nº 258)

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