Mais vale prevenir

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A saúde é o nosso maior bem… e é nesta perspetiva que vou abordar o tema da prevenção, a importância dos rastreios e dos corretos e saudáveis cuidados no âmbito da Ginecologia-obstetrícia.

Artigo da responsabilidade da Dra. Patrícia Amaral, Ginecologista

 

Costumo dizer às minhas pacientes que realizar os exames de rastreio não previne que as doenças apareçam, mas permite que o diagnóstico seja realizado precocemente e num estadio passível de tratamento.

Nos dias de hoje, o diagnóstico de cancro da mama é frequente e em idades cada vez mais jovens. Por ano, surgem cerca de 6000 novos casos de cancro da mama, o que equivale a 11 novos casos por dia. Por se tratar de uma doença tão prevalente entre as mulheres, foi implementado o rastreio universal nas mulheres sem risco acrescido.

RASTREIO QUE SALVA VIDAS

O início do rastreio do cancro da mama deve ser avaliado individualmente pelo médico, com base nos fatores de risco pessoais e familiares. O estilo de vida da mulher, nomeadamente uma alimentação desequilibrada, o consumo de tabaco e álcool, o stress e o sedentarismo têm sido associados ao desenvolvimento de cancro da mama.

Apenas cerca de 5 a 10 por cento dos cancros da mama são hereditários com transmissão genética. Nestes casos, a vigilância deve ser mais precoce e individualizada. Em Portugal, está preconizado pela Direção Geral de Saúde o início do rastreio universal por exames imagiológicos aos 50 anos, com indicação para a sua repetição a cada 2 anos. Algumas orientações americanas sugerem o início do rastreio aos 40 anos e outras aos 45 anos, com realização de exames anuais.

COMBATE AO HPV

Outro exame de rastreio que as mulheres devem estar alertadas a cumprir é o rastreio do cancro do colo do útero. Este cancro é provocado, em mais de 99% dos casos, pelo vírus do papiloma humano, mais conhecido pela sigla HPV. É uma infeção silenciosa e indolente, mas que progressivamente vai condicionando alterações do colo do útero, que vão evoluindo desde lesões pré-malignas até ao cancro.

Através da implementação e adoção de medidas de prevenção primária e secundária, tem sido possível a redução de novos casos e de mortalidade por cancro do colo do útero.

Desde 2008 que a vacina contra o HPV foi introduzida no Plano Nacional de Vacinação (PNV) e desde a sua implementação que os casos de cancro do colo do útero têm diminuído. No entanto, apesar da introdução da vacina no PNV e da promoção da vacinação mesmo para mulheres que não foram abrangidas pelo plano, é também importante a realização da prevenção secundária através do rastreio, que deverá ser realizado de forma regular.

Os exames de rastreio do colo do útero devem ser iniciados a partir dos 21 anos e podem ser feitos por citologia do colo, teste HPV ou por ambos (a que chamamos co-test), os dois últimos apenas preconizados para mulheres já após os 30 anos. A regularidade vai depender do tipo de exame escolhido e poderá variar entre intervalos de três ou cinco anos.

Importa que estes exames de rastreio sejam cumpridos e que a mulher os realize de forma a que, se tiver alguma alteração do colo do útero, esta seja diagnosticada numa fase pré-maligna e tratável, antes de ser um cancro.

Leia o artigo completo na edição de maio 2019 (nº 294)

 

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