Ao longo da gravidez, a ecografia permite acompanhar o desenvolvimento do bebé, avaliar diferentes estruturas fetais e identificar situações que podem justificar uma vigilância mais próxima. Embora seja frequentemente associada ao momento em que os pais veem o bebé, a sua importância clínica vai muito além da imagem.
No Porto, o Douro Centro Médico acompanha a saúde da mulher desde 1998 e conta com uma equipa diferenciada nas áreas de Ginecologia e Obstetrícia, Medicina Materno-Fetal, Ecografia Obstétrica e Diagnóstico Pré-Natal.
Com base nos contributos da Dr.ª Manuela Cunha, especialista em Ginecologia e Obstetrícia no Douro Centro Médico, explicamos o papel das ecografias ao longo da gravidez, o que é habitualmente avaliado em cada trimestre e quais são algumas das limitações destes exames.
Porque são importantes as ecografias durante a gravidez?
A ecografia obstétrica permite obter informação diferente consoante a fase da gestação.
Numa fase inicial, pode confirmar a localização e a viabilidade da gravidez, identificar os batimentos cardíacos e ajudar a determinar a idade gestacional. Uma ecografia realizada nas primeiras semanas pode ainda contribuir para identificar situações como uma gravidez ectópica.
À medida que a gravidez evolui, a avaliação passa a incluir o crescimento fetal, a anatomia do bebé, a placenta, o líquido amniótico e a posição fetal. A fluxometria Doppler pode também ser utilizada para estudar o fluxo sanguíneo, nomeadamente nas artérias uterinas, no cordão umbilical e na circulação fetal, assumindo particular importância em determinadas situações clínicas.
Numa gravidez sem complicações, são habitualmente realizadas três ecografias de referência, uma em cada trimestre. No entanto, podem ser necessárias ecografias adicionais quando existem condições maternas ou fetais que justificam uma vigilância mais próxima.
Ecografia do 1.º trimestre: datar a gravidez e avaliar o desenvolvimento inicial
A ecografia obstétrica do 1º trimestre é habitualmente realizada entre a 11.ª e a 13.ª semana de gestação.
Nesta fase é possível confirmar a viabilidade fetal, datar a gravidez com maior precisão e realizar uma primeira avaliação do desenvolvimento do bebé. A ecografia do 1.º trimestre tem também um papel importante no rastreio do risco de alterações cromossómicas, nomeadamente das trissomias 21 (síndrome de Down), 18 (síndrome de Edwards) e 13 (síndrome de Patau).
No rastreio combinado do 1.º trimestre, a informação obtida na ecografia (incluindo a medição da translucência da nuca) é conjugada com a idade materna e com marcadores bioquímicos analisados no sangue da grávida, nomeadamente a PAPP-A e a fração livre da β-hCG, para calcular o risco de determinadas alterações cromossómicas. Dependendo do resultado e da situação clínica, pode ainda ser considerada a pesquisa de DNA fetal circulante no sangue materno (teste pré-natal não invasivo/NIPT) e, quando clinicamente indicado, exames de diagnóstico como a biópsia das vilosidades coriónicas ou a amniocentese.
A datação correta da gravidez é particularmente importante, uma vez que permite estabelecer a data provável do parto e serve de referência para a avaliação do crescimento fetal nas fases seguintes da gestação.
Antes da ecografia de rastreio do 1.º trimestre, algumas grávidas podem realizar uma ecografia mais precoce, geralmente entre as 6 e as 10 semanas. Este exame não é necessário por rotina em todas as gravidezes, mas pode ser recomendado pelo(a) médico(a) para confirmar a gravidez e a viabilidade fetal, nomeadamente detetar a presença de batimentos cardíacos, o local da implantação do embrião (ajudando a identificar possível gravidez ectópica) e a idade gestacional através da medição do comprimento crânio-caudal.
Ecografia do 2.º trimestre: a importância da ecografia morfológica
A ecografia morfológica (ecografia do 2º trimestre) é um dos momentos fundamentais da vigilância ecográfica da gravidez.
Habitualmente realizada entre a 20.ª e a 22.ª semana, esta ecografia permite uma avaliação detalhada da anatomia e do desenvolvimento fetal, procurando identificar possíveis alterações estruturais. Entre as estruturas estudadas encontram-se, entre outras, o coração, o cérebro e a coluna vertebral.
Segundo a Dr.ª Manuela Cunha, a ecografia do 2.º trimestre é “fundamental para avaliar o desenvolvimento fetal e identificar malformações”.
É também nesta fase que a avaliação biométrica — através de medições da cabeça, abdómen e fémur, entre outras — contribui para estimar o peso fetal e acompanhar a evolução do bebé.
Ecografia do 3.º trimestre: acompanhar o crescimento e preparar a fase final da gravidez
A ecografia obstétrica do 3º trimestre é geralmente realizada após as 30 semanas.
Um dos seus principais objetivos é avaliar o crescimento fetal. Nesta fase pode ainda observar-se a posição do bebé, a localização da placenta, o volume de líquido amniótico e, sempre que indicado, a circulação materno-fetal através do Doppler.
A posição do bebé no final da gravidez constitui também uma das informações consideradas na preparação do parto.
É importante perceber que algumas alterações podem tornar-se evidentes apenas numa fase mais avançada. De acordo com a Dr.ª Manuela Cunha, determinadas obstruções intestinais, dilatações renais e algumas anomalias cardíacas ou cerebrais podem só ser identificadas no terceiro trimestre.
Uma ecografia normal exclui todos os problemas?
Não. A ecografia é um exame muito importante na vigilância da gravidez, mas tem limitações.
A idade gestacional, as características físicas da grávida e a posição do bebé podem dificultar a visualização de determinadas estruturas. Nalgumas situações, pode ser necessário repetir parte da avaliação.
Dependendo dos achados ou da situação clínica, a avaliação pode igualmente ter de ser complementada com exames mais específicos, como ecocardiograma fetal, neurossonografia fetal ou ressonância magnética fetal.
Além disso, nem todas as alterações genéticas ou metabólicas são detetáveis através de ecografia.
Esta é uma distinção importante: uma ecografia sem alterações identificadas é um dado tranquilizador, mas não equivale à exclusão absoluta de todas as patologias que podem afetar o bebé.
Experiência médica e acompanhamento da gravidez fazem a diferença
A qualidade da avaliação ecográfica não depende apenas do equipamento.
A competência técnica do operador, a formação específica e a experiência são, segundo a Dr.ª Manuela Cunha, elementos fundamentais para garantir rigor na avaliação. A qualidade e adequação dos ecógrafos e das sondas utilizadas são igualmente relevantes.
É precisamente a conjugação destes fatores que permite ao Douro Centro Médico oferecer uma resposta diferenciada nesta área: uma equipa com especialistas em Ginecologia e Obstetrícia com diferenciação em Ecografia Obstétrica e Diagnóstico Pré-Natal, equipamentos adequados aos diferentes tipos de avaliação ecográfica e a possibilidade de acompanhar a grávida de forma integrada ao longo das várias fases da gestação.
A ecografia, afinal, é apenas uma das componentes da vigilância da gravidez. Os seus resultados devem ser interpretados à luz da história clínica da grávida, da evolução da gestação e dos restantes exames e rastreios realizados.
No Douro Centro Médico, a consulta de obstetrícia permite articular a vigilância médica com as ecografias e outros meios complementares de diagnóstico necessários em cada fase. A equipa integra nove especialistas em Ginecologia e Obstetrícia, incluindo profissionais diferenciados em áreas como Medicina Materno-Fetal e gravidez de risco, Ecografia Obstétrica e Diagnóstico Pré-Natal, infertilidade e Medicina da Reprodução e Uroginecologia.
Esta abordagem permite adaptar o acompanhamento às características de cada gravidez, quer se trate de uma gestação sem fatores de risco, quer existam situações que exijam uma vigilância materno-fetal mais diferenciada.
Sobre a Dr.ª Manuela Cunha
A Dr.ª Manuela Cunha é especialista em Ginecologia e Obstetrícia no Douro Centro Médico desde 2002, com áreas de diferenciação em ecografia ginecológica e obstétrica e diagnóstico pré-natal.
Licenciou-se em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, em 1993, e realizou o Internato Complementar no Departamento de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital de São João, onde efetuou também um estágio de 17,5 meses na Unidade de Ecografia.
Desde abril de 2003, exerce funções no Centro de Diagnóstico Pré-Natal do Hospital de São João, onde realiza, entre outras atividades, ecografias obstétricas. Foi coordenadora interna da Unidade de Ecografia entre 2007 e 2009 e tem experiência na supervisão e orientação de internos de Ginecologia e Obstetrícia. Ao longo do seu percurso profissional, tem complementado a formação através da participação em cursos pós-graduados, congressos e jornadas dedicados à ecografia ginecológica e obstétrica.
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