Cereais integrais contra o cancro

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Petiscos como as pipocas e diversos cereais de pequeno-almoço possuem níveis surpreendentes de substâncias antioxidantes saudáveis chamadas polifenois.

 

Humberto Barbosa em frente à Clinica do Tempo de Talatona, LuandaArtigo da responsabilidade do Dr. Humberto Barbosa, Especialista em Nutrição e Longevidade; Clínica do Tempo; www.clinicadotempo.com

 

O consumo de alimentos ricos em fibra e grãos integrais está associado com um risco menor de sofrer de problemas como a obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes tipo II. Novos estudos revelam que os cereais integrais, consumidos regularmente como parte de uma dieta equilibrada, também podem prevenir o cancro, especialmente cancro do cólon e dos intestinos.

O estudo é o primeiro deste género e foi apresentado na reunião nacional da American Chemical Society (Sociedade Química Americana), revelando que petiscos como as pipocas e diversos cereais de pequeno-almoço possuem “níveis surpreendentes” de substâncias antioxidantes saudáveis chamadas polifenois.

O Dr. Joe Vinson, que chefiou este estudo na Universidade de Scranton, na Pensilvânia, referiu que pelas pesquisas mais antigas pensava-se que a fibra era o ingrediente ativo responsável pelos benefícios dos grãos integrais, razão pela qual diminuiriam o risco de cancro e de doença coronária. No entanto, o especialista explicou que foi descoberto recentemente que os polifenois eram potencialmente mais importantes nesta equação e chegaram à conclusão que os produtos de cereais integrais têm um nível de antioxidantes por grama comparável às frutas e vegetais.

Os polifenois são a principal razão por que os vegetais, as frutas e alimentos como o chocolate, o vinho, o chá e o café, ganharam estatuto pelo seu papel importante na redução do risco de doenças cardíacas, de cancro e outras enfermidades. No entanto, até este estudo ninguém sabia que os vulgares cereais integrais para o pequeno-almoço e os aperitivos integrais também eram uma excelente fonte de polifenois.

Numa explicação simples, os polifenois são um grupo de substâncias químicas encontradas em muitos legumes, frutas e outras plantas, como as bagas, as azeitonas, as nozes, as uvas e a folha de chá. São conhecidos como antioxidantes, removendo os radicais livres, químicos com capacidade de provocar danos às células e aos tecidos.

Os cereais integrais que possuem maior quantidade de antioxidantes são os de trigo, milho, aveia e arroz, por ordem decrescente.

ALIMENTOS SUPERPODEROSOS

A quantidade de alimentos que estão disponíveis todos os dias nos supermercados e à nossa mesa faz com que não nos apercebamos de que existem produtos de elevada qualidade biológica que são tão vulgares como a maçã, o germe de trigo ou o tomate. São alimentos superpoderosos que encaramos como vulgares, pequenas maravilhas nutritivas às quais quase não reconhecemos o mérito de serem muito importantes para a saúde.

Mas é possível aumentar o reconhecimento que temos pelos alimentos que estão sempre à nossa disposição e transformá-los em verdadeiros superalimentos, apenas com pequenos truques, adições e substituições.

Nesta questão de substituir uns alimentos por outros temos o leite, vulgarmente usado para fazer, por exemplo, puré de batata, para deixar este prato mais fofo. Infelizmente, também nós sentimos esse efeito e ficamos um pouco mais redondinhos. O segredo está em trocar o leite normal por leite evaporado desnatado, que é mais espesso e torna as coisas mais cremosas, mas sem gordura, além de fornecer o triplo do cálcio por cada chávena.

Além deste segredo da substituição de uns alimentos por outros, podemos acrescentar alguns elementos à confeção habitual dos pratos, enriquecendo-os e tornando-os mais nutritivos. Temos o amido de milho, que pode ser adicionado à sopa aguada ou a caldos leves para os transformar numa refeição mais saudável e saborosa. O milho possui um antioxidante chamado zeaxantina, que ajuda a proteger a visão ao aumentar a concentração do pigmento da mácula.

Os flocos de aveia são um cereal com um grande poder depurativo e desintoxicante, muito nutritivos, sendo uma escolha excelente para substituir as tostas ou pão ralado na confeção de hambúrgueres, rolo de carne e empadão. A aveia tem fibra solúvel que ajuda a reduzir o colesterol e melhora o trânsito digestivo, e ainda contém glucanos, um elemento que já se provou aumentar as células naturais de defesa do organismo.

Há um ingrediente que pode ser adicionado a pratos de chili que, com toda a certeza, fará as delícias dos mais gulosos: parece estranho, mas deite dois pedaços de chocolate negro para tornar o chili mais saboroso e para usufruir do benefício dos flavonoides e dos polifenois, que podem diminuir em 20% o risco de doenças cardiovasculares. Além desta boa notícia, o chocolate, usado com moderação, obviamente, também impede a oxidação do mau colesterol.

O que é verde é bom, mas mesmo aqui há uns verdes melhores do que outros e nesta área quanto mais escuro, melhor. Por isso, continue a juntar o verde às suas sandes, mas troque de ingrediente. Em vez de usar uma folha de alface tipo iceberg, aquela variedade quase branca e de sabor demasiado suave, use espinafre… porque na verdade o espinafre não tem de ser cozinhado para ser saboroso. Além do velho esparregado ou da sopa, este vegetal é excelente em saladas, utilizado cru. O espinafre cru e fresco tem um sabor intenso muito agradável que substitui na perfeição outros vegetais para saladas, ou é excecional para complementar alface e dar-lhe um toque exótico e requintado. Uma chávena de espinafre fresco é muito rica em folato, ou ácido fólico, que ajuda a reduzir o risco de ataque cardíaco.

Há outra coisa que pode acrescentar às saladas e aos legumes, crus ou cozinhados: nozes e amêndoas. Claro que são alimentos calóricos e, por isso, devem ser consumidos com moderação, mas são excelentes fontes de vitaminas, minerais e antioxidantes. A amêndoa, por exemplo, é rica em vitamina E, um antioxidante de eleição, que além de promover a juventude ajuda a reduzir o risco da doença de Alzheimer em cerca de 70%, segundo um estudo do National Institute on Aging, dos Estados Unidos.

VAMOS REAPRENDER A COMER

Já todos sabemos que comer bem é o primeiro passo para ter uma vida saudável, e que muitos alimentos podem até prevenir e tratar doenças. Por isso, nada como aprender a comer conveniente e equilibradamente. Mas não falo em dietas, falo em reeducação alimentar, que passa por aprender a comer, sendo mais uma filosofia de vida do que uma dieta. É educar a nossa rotina, o nosso organismo e o nosso paladar no sentido de uma alimentação natural e saudável. Depois, é aprender a manter esses hábitos alimentares salutares durante toda a vida, sabendo que é possível prevaricar de vez em quando, mas que a base da alimentação deve ser correta.

Por isto mesmo, todo o meu método é iniciado com uma consulta de Nutrição, porque a alimentação é realmente a base de tudo. No entanto, não é apenas o excesso de peso que preocupa a maior parte das pessoas, sendo que a gordura localizada é um enorme problema até para pessoas magras. A gordura localizada é resistente e mesmo quando existe uma perda acentuada de peso as zonas problemáticas mantêm-se, como é o caso da cintura e do abdómen. Aqui começam as preocupações dos especialistas, porque está provado que, mesmo quando não existe excesso de peso, um perímetro de cintura aumentado reflete-se num risco real de sofrer doenças cardiovasculares. Por isso, aliar uma tecnologia eficaz de eliminação desta gordura era importante, levando-me a pesquisar e a trazer para o nosso país a primeira “lipoaspiração” não-invasiva: o Liposhaper. Este tratamento sem cirurgia e sem dor permite melhorar a saúde ao mesmo tempo que permite alcançar um corpo mais magro e equilibrado. A prova de que quando cuidamos da nossa saúde, ficamos mais belos.

Artigo publicado na Edição de Outubro 2015 (nº 254)

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