Células estaminais: 5 casos de sucesso que comprovam a utilidade clínica

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As células estaminais possuem características únicas, que permitem a substituição das células que vão morrendo e a reparação de tecidos danificados, sendo, por isso, fundamentais para o bom funcionamento do nosso organismo. Adicionalmente, as suas propriedades conferem-lhes um grande potencial para o tratamento de diversas doenças.

Em todo o mundo, a utilização de células estaminais do sangue do cordão umbilical é já uma realidade bem patente, tendo sido realizados, até à data, mais de 45 mil transplantes com esta fonte de células estaminais. As células estaminais do sangue do cordão umbilical são semelhantes às que se encontram na medula óssea, podendo ser usadas no tratamento de mais de 80 doenças, incluindo doenças oncológicas, deficiências medulares, doenças metabólicas, imunodeficiências e hemoglobinopatias. Para além disso, nos últimos 10 anos, o número de novas aplicações terapêuticas do sangue do cordão umbilical em estudo aumentou marcadamente, tendo envolvido já mais de 800 doentes tratados no âmbito de estudos clínicos experimentais. O tecido do cordão umbilical é outra fonte de células estaminais que ganhou destaque nos últimos anos, estando já registados mais de 170 ensaios clínicos que visam testar a sua aplicação clínica num leque alargado de doenças, nomeadamente em doenças de caracter autoimune.

Estes são alguns exemplos de tratamentos com células estaminais realizados com sucesso, que vêm comprovar a sua utilidade clínica:

 

ANEMIA APLÁSTICA GRAVE

Uma criança portuguesa, de 4 anos de idade, entrou em remissão após transplante com as células estaminais do seu sangue do cordão umbilical para tratar anemia aplástica grave. Esta doença ocorre quando a medula óssea deixa de produzir células sanguíneas suficientes, provocando anemia, hemorragias e infeções. O tratamento foi realizado em abril de 2019, na Unidade de Transplante de Medula do IPO de Lisboa, com uma amostra de células estaminais do Sangue do Codão Umbilical guardada na Crioestaminal.

https://parentsguidecordblood.org/pt/news/henrique-salvo-com-o-seu-sangue-do-cordao-umbilical

 

BEBÉS PREMATUROS

Um estudo publicado na revista científica Stem Cells Translational Medicine, mostrou que a administração autóloga de sangue do cordão umbilical em bebés prematuros reduziu significativamente o tempo de suporte respiratório que estes bebés necessitariam. Pelas suas propriedades regenerativas, anti-inflamatórias e imunomoduladoras, o sangue do cordão umbilical está a ser investigado para a prevenção de complicações associadas à prematuridade.

Ren Z, et al. Stem Cells Transl Med. 2020 Feb;9(2):169-176.

 

LESÕES NOS JOELHOS (OSTEOCONDRITE DISSECANTE DO JOELHO)

Dois jovens atletas, de 16 e 17 anos de idade, diagnosticados com osteocondrite dissecante do joelho, foram submetidos a um tratamento experimental que consistiu na injeção direta de células estaminais no local da lesão. Este tratamento permitiu a regeneração da cartilagem, que posteriormente se verificou possuir características semelhantes às da cartilagem original. Ao fim de um ano, estes jovens puderam voltar a praticar a sua modalidade de eleição.

Song JS, et al. J Clin Orthop Trauma. 2019. 10 (Suppl 1):S20-S25.

 

LESÕES CEREBRAIS

Um adolescente de 16 anos, que, na sequência de uma paragem cardiorrespiratória, sofreu lesões cerebrais, apresentou uma recuperação notável após tratamento com células estaminais do tecido do cordão umbilical. O jovem, que tinha ficado severamente incapacitado, recuperou totalmente, tanto a nível motor como cognitivo.

Kabataş S, et alCell Transplant. 2018. 27(10):1425-1433.

 

ANEMIA FALCIFORME

Uma criança de 8 anos com anemia falciforme ficou curada após um transplante hematopoiético, realizado em 2017, nos EUA, com a amostra de sangue do cordão umbilical do seu irmão mais novo, que tinha sido guardada num banco familiar. Um ano depois do transplante, o menino estava totalmente curado, vivendo uma vida saudável.

https://parentsguidecordblood.org/en/news/hamads-story

Artigo publicado na edição de maio 2020 (nº 305)

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