Alimentação e doenças hemato-oncológicas

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Por Dra. Inês Almada Correia e Dra. Diana Alexandre, Nutricionistas, Associação Portuguesa Contra a Leucemia

As doenças hemato-oncológicas (leucemias, linfomas, entre outras) são um grupo heterogéneo de neoplasias, cuja influência no estado nutricional é variável. Resulta dos efeitos que a doença ou o tratamento podem ter na ingestão dos alimentos, na absorção e/ou perdas de nutrientes e no metabolismo energético e proteico. A intensidade e a duração do tratamento antineoplásico (quimioterapia, seguida ou não de transplante) podem agravar o estado nutricional de indivíduos inicialmente bem nutridos.

É fundamental que seja assegurada uma alimentação equilibrada em todas as fases da doença, de forma a prevenir ou minimizar a perda de peso e de reservas de nutrientes e, com isso, promover uma melhor resposta aos tratamentos e seus efeitos secundários, reduzir o risco de infeções e manter a força e a vitalidade. As necessidades nutricionais individuais devem ser alcançadas através da ingestão dos alimentos dos diversos grupos (ex. hortícolas, frutas, cereais e tubérculos, carne/peixe e ovos, laticínios, leguminosas, óleos e gorduras), nas devidas proporções, sem que sejam feitas restrições desnecessárias e sem recorrer a suplementação, salvo se indicação expressa.

Um efeito secundário que é comum a este tipo de doenças, pela sua natureza ou pelo tratamento associado, é a diminuição do sistema imunitário e, como tal, os doentes ficam mais suscetíveis a infeções. No que diz respeito à alimentação, devem ser assegurados cuidados adicionais de higiene e segurança alimentar para reduzir ao máximo o número de bactérias e outros micro-organismos que são veiculados nos alimentos e que podem ser causadores de doenças. Em casa, esses cuidados passam por garantir medidas de higiene na preparação dos alimentos, confeção e conservação adequadas. Nos dias de hoje, já não são muitos os alimentos a excluir ou a evitar, uma vez que a indústria alimentar proporciona opções seguras do ponto de vista microbiológico (por exemplo, alimentos pasteurizados, embalados individualmente).

Nos workshops de “culinária para doentes hemato-oncológicos”, promovidos pela Associação Portuguesa Contra a Leucemia e em parceria com a Associação de Cozinheiros Profissionais de Portugal, são abordadas estas questões com mais profundidade e há lugar para por em prática receitas seguras, nutricionalmente equilibradas e deliciosas, contrariando a ideia de que a alimentação em contexto de doença é monótona e sem sabor.

 

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