Alergias na primavera: pólenes do nosso descontentamento

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Devido à maior presença de pólenes na atmosfera, as alergias na primavera são particularmente intensas. Felizmente, temos hoje ao nosso dispor um conjunto de tratamentos seguros e eficazes que permitem melhorar a qualidade de vida dos doentes alérgicos, de forma muito significativa.

 

Artigo da responsabilidade do Prof. Dr. Pedro Carreiro Martins

Professor auxiliar da Nova Medical School; assistente graduado de Imunoalergologia do Hospital Dona Estefânia – CHLC; vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Alergologia e Imunologia Clínica (SPAIC)

 

As doenças alérgicas são muito comuns no nosso país. Estima-se que cerca de 25% da população portuguesa tenha rinite e 6,8% tenha asma. Muitas vezes, a rinite e a asma coexistem, sendo que 80% dos asmáticos têm rinite e cerca de 40% dos doentes com rinite têm asma.

As chamadas alergias da primavera são aquelas que ocorrem sazonalmente nessa altura do ano e que resultam da inalação de pólenes presentes na atmosfera, libertados por algumas espécies de plantas.

PICO DE MARÇO A JUNHO

Em Portugal, a polinização vai de fevereiro a outubro (dependendo dos anos), com um pico de março a junho.

Para além da estação do ano, a área geográfica também é importante para o tipo de pólenes existentes. A poluição urbana tem influência sobre os grãos de pólen, alterando a sua forma e tamanho, tornando-os mais alergénicos e facilitando a sua penetração nas vias aéreas.

Por outro lado, os pólenes são transportados pelo vento, por isso, os doentes alérgicos aos pólenes têm mais sintomas nos dias ventosos. Nos dias de chuva, há uma redução significativa dos pólenes na atmosfera.

No nosso país, os pólenes mais frequentemente responsáveis por alergias são os pólenes de ervas, árvores e arbustos. Os pólenes das flores raramente estão implicados, porque têm grandes dimensões e peso relativo, que impedem a sua dispersão aérea. É o seu odor ativo que desencadeia os sintomas interpretados como alergia.

PRINCIPAIS RESPONSÁVEIS

Em Portugal, as plantas mais frequentemente implicadas nas doenças alérgicas são:

  • GRAMÍNEAS – Responsáveis pela anteriormente designada “febre dos fenos” e atualmente por “polinose”. Polinizam durante toda a primavera, de março a julho;
  • PARIETÁRIA – Erva também conhecida por alfavaca-de-cobra. Apresenta um longo período de polinização, sendo possível coletar pólen de parietária durante todo o ano, porém, com frequência máxima em abril e maio;
  • OLIVEIRA  – Poliniza de maio a julho;
  • ARTEMÍSIA – Poliniza de abril a setembro;
  • CIPRESTE – Poliniza de dezembro a março;
  • PLÁTANO – Poliniza de março a maio.

SINTOMAS TÍPICOS

As alergias na primavera tendem a manifestar-se sob a forma de rinite (espirros, nariz entupido, comichão, corrimento nasal), conjuntivite (comichão ocular, lacrimejo) ou asma (tosse, pieira e, eventualmente, falta de ar).

Muitas pessoas confundem alergia com constipação. Contudo, na constipação os sintomas são autolimitados (geralmente, até uma semana), enquanto na rinite alérgica os sintomas persistem durante várias semanas a anos. As constipações provocam nariz entupido, espirros e pingo no nariz, mas ao contrário da rinite alérgica também dão dores de garganta, febre, secreções nasais por vezes amareladas ou esverdeadas e não melhoram com o tratamento receitado para as alergias. Numa situação alérgica, as secreções nasais tendem a ser translúcidas.

Leia o artigo completo na edição de março 2020 (nº 303)

 

 

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