No âmbito do Dia Nacional do Doente com AVC, que se assinala a 31 de março, a Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação (SPMFR) reforça a necessidade urgente de criação de um Registo Nacional do AVC para a Reabilitação, considerado essencial para garantir um acompanhamento eficaz e contínuo dos doentes ao longo de todo o seu percurso de recuperação.
Esta ferramenta permitirá recolher dados epidemiológicos, avaliar a evolução funcional dos doentes e acompanhar o seu percurso após a alta hospitalar, assegurando que continuam a ter acesso, de forma atempada, aos cuidados de reabilitação necessários.
Segundo Renato Nunes, presidente da SPMFR, “a fase de reabilitação é determinante para a recuperação funcional e para o regresso à vida ativa com qualidade, sendo um direito fundamental consagrado em vários documentos da Organização Mundial da Saúde. No entanto, a ausência de monitorização estruturada dificulta a garantia de continuidade de cuidados ao longo do tempo.”
Esse é o objetivo deste Registo Nacional que, de acordo com Renato Nunes, “permitirá monitorizar de forma integrada a jornada do doente, identificar lacunas no sistema e contribuir para uma resposta mais eficiente, multidisciplinar e centrada na reabilitação”.
Em Portugal, três pessoas sofrem um AVC a cada hora e cerca de metade dos sobreviventes ficam com sequelas, muitas vezes incapacitantes. Tem crescido também a preocupação com o aumento da incidência em populações mais jovens.
No Dia Nacional do Doente AVC, a SPMFR sublinha que a criação deste registo é um passo decisivo para melhorar os resultados em saúde e garantir que nenhum doente fica sem acompanhamento no seu processo de reabilitação.
A SPMFR tem vindo a trabalhar com diferentes entidades da saúde na concretização deste Registo Nacional, bem como na implementação de soluções estruturais para a reabilitação em Portugal. Entre elas destaca-se o Plano Nacional de Reabilitação, apresentado há dois anos, que visa assegurar o acesso a cuidados especializados, com equipas multiprofissionais, meios adequados e uma articulação eficaz entre hospital, unidades de reabilitação e comunidade.













