Neste Dia Mundial da Visão, Ana Oliveira reflete sobre a forma como a Inteligência Artificial está a transformar a saúde visual, abrindo caminho a soluções cada vez mais personalizadas e adaptadas às exigências visuais do dia a dia.

 

Artigo da responsabilidade de Ana Oliveira. Optometrista e Customer Support Manager na Shamir

Durante décadas, ver bem foi entendido como uma questão de correção: identificar uma limitação e compensá-la. Hoje, esse paradigma está a mudar. Com a integração da Inteligência Artificial (IA), entramos numa nova fase: a da antecipação. Já não se trata apenas de corrigir a visão, mas de compreender as necessidades visuais de cada pessoa nos mais diversos contextos.

Esta evolução é particularmente relevante num momento em que os nossos hábitos visuais se tornaram mais exigentes. Alternamos constantemente entre ecrãs, ambientes interiores e exteriores, tarefas de precisão e momentos de lazer. A visão deixou de ser estática e previsível e, por isso, exige respostas dinâmicas, capazes de acompanhar a complexidade do quotidiano e a forma como interagimos com o mundo.

É aqui que a IA revela o seu verdadeiro potencial: na capacidade de transformar dados em personalização. Ao analisar padrões de comportamento e considerar fatores como a idade, as rotinas diárias, as distâncias de foco ou as condições de luminosidade, torna-se possível desenvolver soluções que respondem às necessidades de cada utilizador. Mais do que uma inovação tecnológica, esta evolução resulta de anos de investigação e desenvolvimento, transformando conhecimento científico em benefícios concretos para o dia a dia dos utilizadores.

Mas esta transformação não acontece de forma isolada. Está integrada numa mudança mais ampla da forma como olhamos para a saúde e para o bem-estar: uma abordagem cada vez mais preventiva, personalizada e centrada na experiência individual. Também na visão começa a ganhar relevância a capacidade de antecipar necessidades antes que estas se traduzam em desconforto ou limitação, promovendo uma relação mais consciente e informada com a própria saúde visual.

No setor óptico, esta transformação já é visível. Soluções como as lentes Shamir Autograph Intelligence™, desenvolvidas com base em IA e Big Data, representam um salto claro nessa direção, oferecendo uma experiência visual ajustada ao ritmo de vida de cada utilizador. Não se trata apenas de ver com nitidez, mas de garantir continuidade, fluidez e naturalidade ao longo de todo o dia, mesmo quando as exigências visuais mudam de forma constante.

Ao mesmo tempo, surgem soluções pensadas para contextos específicos, onde a exigência visual é ainda maior. As lentes Shamir Driver Intelligence™, por exemplo, traduzem a lógica da alta performance para o quotidiano da condução, otimizando o foco em todas as distâncias, reduzindo o encandeamento e melhorando a perceção da estrada em diferentes condições de luz. Num cenário em que milissegundos podem fazer a diferença, a qualidade da visão passa a tornar-se um fator de segurança e confiança.

Já em ambientes exteriores, onde a intensidade luminosa e as condições variam rapidamente, soluções como as lentes Shamir Sun Intelligence™ evidenciam como a tecnologia pode responder de forma inteligente às necessidades visuais. Ao integrar proteção, adaptação e qualidade visual, estas lentes permitem uma experiência mais equilibrada e confortável ao longo de todo o dia, acompanhando mudanças frequentes na direção do olhar e contribuindo para uma perceção mais natural do ambiente envolvente.

O ponto em comum? A personalização inteligente. A capacidade de desenvolver soluções que não são universais, mas sim profundamente individuais. Soluções ajustadas não só à prescrição, mas ao estilo de vida, às rotinas e às exigências específicas de cada pessoa. Porque duas pessoas com a mesma graduação podem ter necessidades visuais completamente distintas, e é precisamente essa variabilidade que hoje conseguimos acomodar com maior precisão.

Este novo paradigma coloca também uma maior responsabilidade sobre todos os intervenientes do setor. À medida que as soluções se tornam mais avançadas, torna-se essencial garantir que continuam acessíveis, compreensíveis e verdadeiramente úteis para quem delas beneficia. Porque a inovação, por si só, não é suficiente. É preciso assegurar que esta serve, de facto, as pessoas. Que não se limita a automatizar processos, mas que acrescenta valor real à experiência humana. No caso da visão, isso traduz-se em conforto, segurança e desempenho. No fundo, numa melhoria consistente do bem-estar e da qualidade de vida a longo prazo.

Olhando para o futuro, o caminho passa por aprofundar esta capacidade de adaptação. Com sistemas cada vez mais capazes de cruzar informação relevante, será possível responder de forma ainda mais afinada às necessidades visuais de cada utilizador. A tecnologia não substitui o conhecimento clínico; potencia-o, amplifica a sua capacidade de resposta e permite decisões mais informadas ao longo de todo o processo.

Ver bem continua a ser essencial. Mas, hoje, ver melhor é também ver de forma mais inteligente, com soluções que compreendem, antecipam e acompanham as exigências reais do dia a dia.

Este artigo conta com o apoio institucional da Shamir em Portugal