Assinalou-se em fevereiro o Dia Mundial de Luta contra o Cancro, altura geralmente utilizada para abordar esta patologia que abarca tantas especialidades médicas e tantos profissionais, mas acima de tudo, tantas vidas, tão diferentes, entre si ligadas por seis letras: cancro.
Artigo da responsabilidade do Dr. André Veras. Country Manager da BeOne Medicines Portugal
Oportunidade para refletir sobre esta palavra, tão curta para uma realidade por vezes tão difícil e complexa. Representa um diagnóstico, mas não define o indivíduo ou a sua jornada. Por trás de cada diagnóstico existe uma pessoa, uma família, uma comunidade e uma história. E, em Portugal, de acordo com os dados do Registo Oncológico Nacional, todos anos são diagnosticados mais de 60 mil novos casos de cancro e as projeções e tendências são para que estes valores se mantenham ou aumentem.
A inovação e investigação científica, quer em termos de diagnóstico e tratamentos, quer em termos de políticas de públicas de saúde e abordagem à jornada do próprio doente, está a transformar a forma como encaramos o diagnóstico de cancro, que está a tornar-se, particularmente em determinadas áreas, cada vez mais numa doença crónica. Um relatório da American Cancer Society, divulgado em janeiro de 2026, refere que os doentes diagnosticados com cancro estão a viver mais anos.
Um exemplo claro desta mudança de paradigma é o da leucemia linfocítica crónica (LLC). Esta patologia, um tipo de cancro do sangue e a leucemia mais comum em países ocidentais, teve, durante décadas, opções terapêuticas limitadas e pouco diferenciadas. Atualmente, graças ao conhecimento acumulado sobre os mecanismos biológicos da doença e à investigação científica, assistimos a uma evolução no tratamento, não apenas em termos de opções terapêuticas, como em termos de abordagens.
A personalização tornou-se um elemento central desta nova abordagem, permitindo aos médicos adaptar as decisões ao perfil biológico da doença e às características e necessidades individuais de cada doente, o que leva a um tratamento mais preciso e clinicamente fundamentado.
Na LLC, deparamo-nos cada vez mais com uma abordagem verdadeiramente centrada no doente, que é acompanhado por uma equipa multidisciplinar dedicada e que se preocupa para além da doença. Os profissionais de saúde avaliam não só as características clínicas, mas também as comorbilidades, o contexto familiar e social, o estilo de vida e as prioridades individuais de cada doente, permitindo que cada pessoa participe, de forma informada, na escolha do seu tratamento, conciliando eficácia clínica com qualidade de vida, respondendo à complexidade real que é viver com cancro.
No cancro não existem percursos iguais. Isto é particularmente importante para todos os que, de alguma forma, trabalham e contribuem para um objetivo comum, erradicar o cancro. A inovação só faz sentido quando se traduz em impacto real na vida dos doentes, ajudando-os a viver mais e melhor. Exige colaboração entre investigadores, profissionais de saúde, decisores, indústria farmacêutica, associações de doentes e a própria sociedade. Exige também coragem, que se manifesta todos os dias, nos doentes que enfrentam uma nova realidade, nas famílias que os apoiam, nos profissionais de saúde que os acompanham, nos cientistas que se dedicam à investigação, entre tantos outros.
O cancro não pode ser resumido numa única palavra. O seu impacto, a sua complexidade e a diversidade das pessoas que afeta vão muito além de qualquer definição concisa. No entanto, uma única palavra pode, por vezes, ajudar-nos a reconhecer o que nos une, o que nos lembra porque fazemos o que fazemos.
Quero, por isso, destacar as reflexões partilhadas pelos colegas da BeOne como parte da nossa iniciativa global na campanha do Dia Mundial de Luta Contra o Cancro deste ano nas nossas redes sociais. As suas palavras transmitem a realidade de que “o cancro é complicado. É pesado. É pessoal. E, no entanto, através das nossas experiências únicas, continuamos unidos”.
Quero reafirmar que a inovação em Oncologia deve ser mais do que progresso científico; deve permanecer ancorada nos cuidados. É o compromisso diário de compreender as realidades individuais, de ouvir, de melhorar não só os resultados, mas também a experiência vivida pelas pessoas afetadas. E é através deste esforço coletivo, baseado na ciência, na colaboração e na humanidade, que nos aproximamos de um futuro em que o cancro já não define o caminho de ninguém.














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