A nossa aparência reflete o nosso estado nutricional. Por mais produtos de beleza dispendiosos que utilizemos, a falta de micronutrientes irá, inevitavelmente, resultar num aspeto envelhecido.

Artigo da responsabilidade da Dra. Inês Veiga. Farmacêutica

 

A indústria dermocosmética desde sempre que procura “ingredientes milagrosos”, que atribuam mais do que um efeito hidratante aos seus produtos. É por isso que substâncias como Q10, zinco e vitamina A são ingredientes frequentes nos produtos para pele.

COMO GOSTARIA DE ENVELHECER?

Devido a limitações na capacidade de absorção cutânea, é essencial fornecer à pele estes nutrientes ativos a partir do interior, transportados diretamente para cada célula cutânea através da corrente sanguínea.

A ingestão de suplementos alimentares permite que os micronutrientes sejam levados até às células cutâneas, oferecendo condições ótimas para a manutenção de células viáveis e saudáveis, bem como para a replicação celular. Isto é algo que dificilmente se consegue com um produto de aplicação tópica.

Geralmente, as substâncias presentes nos cremes alcançam apenas a camada superficial da pele, que consiste em células mortas. Os suplementos, por outro lado, garantem que as células mais ativas, nas camadas profundas da pele, recebem a nutrição correta em todas as fases do seu ciclo de vida.

O reforço nutricional da sua pele também impactará a saúde geral. Por outras palavras, não estará apenas a nutrir a sua pele, estará a nutrir todo o seu corpo.

ZINCO: O REPARADOR DE FERIDAS

O zinco é um dos minerais mais importantes da nossa alimentação. Embora a ingestão recomendada seja extremamente reduzida, tratando-se de um oligoelemento, ele é necessário para cerca de 300 funções enzimáticas e desempenha um papel importante, por exemplo, na divisão celular e na expressão genética.

O papel do zinco no sistema imunitário foi demonstrado em muitos estudos. Além disso, o zinco acelera e melhora a nossa capacidade de cicatrização (especialmente lesões e feridas). O zinco ajuda a combater infeções bacterianas, virais e fúngicas, contribuindo para a proteção contra infeções cutâneas.

De facto, a falta de zinco pode diminuir a resistência da pele, conduzindo a várias doenças cutâneas e até à queda de cabelo. A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) reconhece oficialmente o zinco como um mineral essencial para a pele, o cabelo e as unhas.

Estudos sugerem mesmo que os suplementos de zinco podem ajudar a combater a acne. As necessidades de zinco são particularmente elevadas durante a puberdade, em mulheres grávidas e lactantes, em pessoas idosas, em indivíduos com elevado consumo de álcool e pessoas com elevados níveis de stress.

As necessidades de zinco são 50% superiores nos vegetarianos, uma vez que as dietas vegetarianas contêm muito pouco zinco.

Como o corpo humano não tem uma reserva de zinco, precisamos de um fornecimento constante deste mineral. O zinco encontra-se principalmente no marisco, peixe, carne, sementes e frutos secos.

CÉLULAS JOVENS COM SELÉNIO

O selénio é um oligoelemento, que a maioria de nós obtém em quantidades muito reduzidas através da alimentação. O selénio é um componente importante do mecanismo de defesa do corpo contra o envelhecimento oxidativo das células. Este elemento faz parte da estrutura molecular de um poderoso complexo antioxidante com inúmeras propriedades rejuvenescedoras. Com muito pouco selénio no nosso sistema, as células tornam-se alvos mais fáceis para microrganismos, mutações na informação genética das células e envelhecimento prematuro.

Existem grandes áreas da Europa onde as culturas agrícolas contêm muito pouco selénio, simplesmente porque o solo é deficiente neste elemento (proveniente de cinzas vulcânicas). Esta carência está associada a muitas doenças que ocorrem como resultado do envelhecimento celular.

O selénio contribui igualmente para a manutenção de um cabelo e unhas normais. A falta de selénio, por outro lado, tem sido associada a doenças de pele, como a psoríase, fungos e caspa.

O selénio encontra-se principalmente no peixe, carne, vísceras, marisco, frutos secos e sementes. Sugestão de ingestão de selénio (suplementação): 100-200 microgramas por dia.

A ENERGIA DA PELE COM COENZIMA Q10

Provavelmente, a primeira vez que ouviu falar de Q10 foi num creme antirrugas, certo? A verdade é que todas as células humanas precisam da coenzima Q10 para produzir energia – inclusive as da pele!

Produzimos Q10 no organismo, mas à medida que envelhecemos essa produção endógena diminui. Adicionar Q10 aos cremes antienvelhecimento faz sentido. No entanto, é difícil conseguir que penetre profundamente na pele. A quantidade de Q10 capaz de penetrar na pele e alcançar as células vivas, através da aplicação tópica, é insignificante. Se quiser que o Q10 faça a diferença, tem de o ingerir sob a forma de alimentos ou suplementos.

Tal como todas as outras células, as da pele abrandam e funcionam mal quando lhes falta Q10. Aumentar a sua ingestão pode melhorar a reposição de energia e a proteção contra as lesões oxidativas dos radicais livres de oxigénio, ajudando as células da pele a manterem-se jovens.

O Q10 encontra-se principalmente na carne, órgãos, peixe, frutos secos, sementes e folhas verdes. Ingestão sugerida de Q10 (suplementação): 100 mg por dia.

Leia o artigo completo na edição de maio 2024 (nº 349)