A relação entre os animais e os seres humanos é cada vez mais próxima, o que leva ao aumento da probabilidade de transmissão de doenças infeciosas entre ambos, as designadas zoonoses.

As zoonoses transmitem-se aos humanos por contacto direto ou através de alimentos ou água contaminados ou através do meio ambiente. Existem mais de 200 tipos de zoonoses identificadas (causadas principalmente por bactérias, vírus, parasitas ou fungos) e representam uma grande percentagem das doenças recentemente identificadas em seres humanos, assim como outras já existentes.

De acordo com José Gómez, diretor médico da AniCura Ibéria, “a zoonose mais conhecida e comum em animais de companhia é a leishmaniose. Esta doença pode ser prevenida com um programa de vacinação adequado, assim como com o uso de medicamentos e repelentes para evitar a transmissão a outros cães ou até mesmo aos humanos, já que se desenvolve através da picada de um mosquito e não através do contacto direto com o animal”, acrescenta.

Outras zoonoses também frequentes são a raiva (erradicada em Portugal), a sarna, a toxoplasmose ou o dengue. Estas doenças são possíveis de prevenir mediante programas de vacinação estabelecidos.

“O médico veterinário está capacitado para implementar o calendário de vacinação dos nossos animais, sendo os únicos profissionais com formação adequada nesta matéria. Consultas frequentes são a única forma eficaz de prevenir estas doenças e permitir que o animal desfrute de uma vida longa e com qualidade”, explica José Gomez.

O veterinário que acompanha o animal de companhia conhece os potenciais riscos a que poderá estar sujeito e o ambiente em que vive. Por isso, é a chave para estabelecer um adequado programa de vacinação e desparasitação regular. Também os cuidadores são fundamentais para conseguir evitar a transmissão destas infeções, adotando cuidados específicos para manter o animal saudável e em segurança. A boa comunicação entre veterinário e cuidador é, por isso, crucial.

Desafios da Medicina Veterinária para 2024

As alterações climáticas e a cada vez maior circulação de animais e pessoas entre países pressupõem um desafio no momento de controlar doenças emergentes em zonas onde antes não se haviam detetado. “O exemplo paradigmático desta rápida disseminação foi a COVID-19, mas a expansão de outras doenças características de países tropicais devem fazer-nos refletir e avaliar a forma como vamos fazer face a este desafio”, sublinha José Gómez.

Um dos principais desafios atuais dos profissionais de veterinária é continuar a aprofundar o projeto “One Health” da Organização Mundial da Saúde (OMS), cujo objetivo é manter em equilíbrio a saúde dos humanos, animais e ecossistemas. “É um grande projeto multidisciplinar que não abarca apenas a Medicina Humana e Veterinária, mas também a investigação do ambiente e ecológica”, conclui.