A síndrome da classe económica é uma patologia vascular causada por longos períodos de baixa mobilidade, associada aos voos de avião em classe económica com pouco espaço para as pernas.

Artigo da responsabilidade do Dr. Sérgio Silva. Cirurgião vascular

 

A chamada síndrome da classe económica é conhecida e diagnosticada desde há cerca de 30 anos em pessoas que haviam feito longas viagens de avião e ficaram sentado por várias horas, em espaços que condicionavam a mobilidade dos membros inferiores (como a classe económica). A trombose venosa desenvolve-se assim, como resultado da imobilidade prolongada.

COMO SE ORIGINA A TROMBOSE VENOSA?

A imobilidade prolongada faz com que o sangue circule mais lentamente nos membros inferiores e pode levar ao desenvolvimento de trombos nas veias, ocorrendo com maior frequência após 4 a 6 horas de viagem.

Este processo é ainda mais frequente nos casos em que se lhe associa a desidratação, que poderá agravar-se com consumo de álcool, chá ou café (pelo seu efeito diurético), bem como pelo uso de comprimidos para dormir (por aumentaram a imobilidade do passageiro).

O trombo venoso pode, eventualmente, progredir para veias de maior calibre e até migrar da perna para o pulmão, causando uma embolia pulmonar aguda, ou seja, o trombo formado nos membros inferiores migra até à circulação dos pulmões, obstruindo as artérias pulmonares ou ramos destas (situação que poderá, em situações extremas, ser fatal).

VOOS LONGOS TÊM MAIOR RISCO

Outra preocupação é o acidente vascular cerebral, pois sabe-se que cerca de 6% dos indivíduos que sofrem uma embolia pulmonar também sofrerão um AVC. Isto porque o trombo pode migrar das cavidades cardíacas direitas para as esquerdas através de um “foramen ovale” patente (orifício na separação entre aurículas) e assim alcançar a circulação cerebral. Normalmente, o “foramen ovale” encerra após o nascimento; no entanto, em cerca de 20% das pessoas isto não acontece.

Viajar aumenta o risco de formação de trombos nas veias dos membros inferiores em três vezes; e cada duas horas de viagem aumenta o risco em 18%. Estas condições são duas vezes mais prevalentes em mulheres e mais comuns em indivíduos acima dos 50 anos. O tempo médio de voo para que essas doenças ocorram é de 10 horas.

Leia o artigo completo na edição de julho/agosto 2024 (nº 351)