A modalidade de Pilates foi desenvolvida por Joseph Pilates, no início do século 20, como um sistema de exercícios que integra o corpo e a mente, procurando melhorar a força, a flexibilidade e o equilíbrio. Pelo controlo preciso dos movimentos e respiração adequada, com fortalecimento do núcleo do corpo (regiões abdominopélvica e dorsolombar), promove uma postura mais adequada, diminui sintomas na patologia osteoarticular e previne lesões, sendo atualmente muito praticada como uma forma de condicionamento físico e de reabilitação.

Artigo da responsabilidade da Dra. Joana Bento Rodrigues. Ortopedista. Membro da Direção da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT)

 

A prática de Pilates ajuda a equilibrar a musculatura periarticular e, ao fortalecer estes músculos estabilizadores e mobilizadores de maneira uniforme, contribui para um suporte mais eficaz das articulações, melhorando não apenas a mobilidade, mas também reduzindo a sobrecarga e minimizando o risco de lesões. Ao promover a mobilidade, a flexibilidade e a redução de tensão muscular, diminui a rigidez e liberta tensões acumuladas, permitindo uma mobilização articular mais livre, com consequente bem-estar.

Esta prática é acompanhada por um forte foco na consciência corporal, com concentração na qualidade dos movimentos, que contribui, também, para a identificação de áreas de restrição ou desconforto, permitindo ajustes mais precisos na mobilidade articular, tornando-a mais eficaz e sem risco de lesões frequentemente associadas ao exercício físico mal orientado.

A prática de Pilates tem a vantagem de ser amplamente dirigida a diferentes faixas etárias e diferentes contextos patológicos, independentemente da condição física dos praticantes, uma vez que os exercícios podem ser adaptados e modificados, atendendo às necessidades específicas de cada pessoa. Pode ser, portanto, muito útil na abordagem conservadora de várias patologias ortopédicas.

No que respeita a lesões ligamentares e musculares, a modalidade oferece não apenas benefícios na reabilitação, mas também na prevenção destas lesões, quando praticada regularmente. Pelo fortalecimento dos músculos do núcleo, promove a estabilização da coluna vertebral e melhora a postura, aliviando a dor cervical, dorsal e lombar, não apenas de origem postural ou escoliótica, mas também com origem herniária, por contribuir para a redução da pressão sobre os discos intervertebrais afetados.

Já na osteoartrose, e em contraste com os exercícios de alto impacto, a prática de Pilates constitui uma abordagem suave e de baixo impacto, particularmente benéfica nestas condições, na medida em que, ao fortalecer os músculos em redor das articulações, proporciona suporte adicional e reduz a carga sobre as áreas degeneradas. Além disso, pela ênfase na mobilidade articular controlada, ajuda a preservar a amplitude de movimento, minimizando a rigidez associada, com melhorias significativas na função e qualidade de vida.

Embora amplamente disponível, é essencial que qualquer pessoa com condições ortopédicas consulte o seu médico e ortopedista para, em articulação com outros profissionais de saúde, como fisioterapeutas ou instrutores de Pilates certificados, garantir que os exercícios sejam adaptados de maneira segura e eficaz às suas necessidades específicas e para retirar o maior benefício da sua prática.

O Método Pilates destaca-se, assim, como uma abordagem eficaz para melhorar a força, a mobilidade articular e flexibilidade, com benefícios nas condições ortopédicas, incluindo alívio da dor articular e diminuição da rigidez, promovendo uma maior liberdade de movimentos no contexto de uma vida mais ativa e saudável.