Na nossa cultura, nunca foi fácil desfrutar livremente da sexualidade; porém, os jogos eróticos podem constituir um meio de aprender aquilo que nunca nos foi ensinado.

 

O melhor indicador de uma vida sexual satisfatória são as carícias, a ternura e a proximidade física do casal. O orgasmo é a experiência mais intensa de prazer numa relação, mas diversos estudos demonstraram que a quantidade e a qualidade destes não são os melhores indicadores do bem-estar sexual. Com efeito, uma intensa comunicação não-verbal é significativamente mais importante. A penetração e o orgasmo nunca devem constituir a meta da relação sexual.

OUTRAS FORMAS DE FAZER AMOR

Massagens, sexo oral, masturbação, exploração das zonas erógenas, etc., são atividades não-coitais que constituem formas surpreendentemente agradáveis de “fazer amor”.

Existem técnicas de focalização sensorial destinadas a redescobrir o prazer, realçam os sexólogos. É muito importante acariciar, tocar, fazer com o corpo do outro o que espontaneamente nos apeteça, desde que haja comunicação e respeito pela vontade do parceiro. O ideal seria que cada casal estabelecesse o seu modelo de relação sexual, o que serviria para incrementar o prazer. Há, porém, que ter em conta que qualquer modelo segue um ritmo dinâmico, isto é, não há razão para “apetecer as mesmas coisas” aos 25 e aos 50 anos.

O papel fundamental dos sentidos

Os sentidos desempenham um papel fundamental no processo de estimulação sexual. O tato é o principal: a exploração do corpo de quem se ama produz bem-estar. Por isso, muitas disfunções sexuais – como a anorgasmia – ocorrem quando se esquecem as carícias.

As zonas erógenas são áreas de especial sensibilidade erótica. Em geral, as mais sensíveis são o clitóris, o pénis – de modo especial, a glande –, o orifício uretral e os lábios da vagina. Para ambos os sexos, são também zonas erógenas o períneo – entre o ânus e os genitais –, os seios – sobretudo os mamilos –, a superfície interna das coxas, a boca e os ouvidos – especialmente os lóbulos. Mas todo o corpo humano pode constituir uma zona erógena, a explorar e a estimular com massagens e carícias.

Também a visão e o olfato proporcionam prazer. Não obstante sempre se ter pensado que os homens se excitavam mais do que as mulheres com os estímulos visuais – fotografias e filmes –, estudos recentes demonstram que não há diferenças entre ambos os sexos.

Os odores naturais de um corpo limpo ou dos genitais são, igualmente, excitantes para muitas pessoas. Nos animais, as feromonas – secreções genitais que surgem durante a fase do cio – desencadeiam a ovulação e as condutas de acasalamento. Contudo, ainda não se demonstrou cientificamente que os seres humanos produzam essas substâncias.

As pessoas não se perfumam por acaso. O perfume – esse véu invisível que cobre a pele com mais intensidade do que a roupa interior – estimula a atração sexual, revela a sensibilidade e, inclusivamente, o estilo de cada pessoa.

O sentido do paladar é igualmente venerado. Há imensas comidas exóticas, consideradas afrodisíacas, que, pelas suas formas, cores ou sabores, estão associadas ao prazer e ao sexo. O chocolate, por exemplo, gerador de tantos vícios, é considerado por muitos como um afrodisíaco, dado suspeitar-se que estimula as endorfinas, substâncias químicas que se libertam e que transmitem elevados níveis de energia e euforia aos neurónios.

Por último, através do ouvido recebemos muitas outras sensações agradáveis: sussurros, suspiros, palavras meigas, expressões verbais que excitam…

Fantasias sexuais

É muito estimulante explorar os caminhos da sexualidade, experimentando coisas que nem imaginávamos que fossem agradáveis. Compartilhar as fantasias eróticas é uma prática muito positiva, segundo os sexólogos. Muitos homens e mulheres têm fantasias eróticas enquanto mantém relações sexuais, mas nem sempre as compartilham com o companheiro ou a companheira. Segundo referem pessoas que as têm, as fantasias servem, sobretudo, para facilitar a excitação sexual e aumentar a atração relativamente ao outro membro do casal; não são exclusivas da masturbação, como se poderia pensar, nem se destinam a aliviar o tédio.

As atividades que envolvem a prática de sexo oral são cada vez mais frequentes. Enquanto que apenas 50% de pessoas dizia praticar este tipo de estimulação nos anos 50 – segundo informações do famoso sexólogo Kinsey –, estudos mais recentes indicam que cerca de 90% das pessoas sexualmente ativas, especialmente as mais jovens, experimentaram o sexo oral e que, para metade destas, é uma forma habitual de estimulação.

Quanto à prática do coito, o ideal seria descobrir em conjunto as posições mais agradáveis, em vez de optar pelas mais “recomendadas” ou socialmente “corretas”. Muitos casais apenas utilizam uma ou duas posições diferentes. Porém, a gama de posições apenas está limitada pela destreza física e pela própria imaginação.

O mesmo tipo de rotina é comum no que se refere aos cenários escolhidos: quase invariavelmente o quarto de cama. Também aqui é necessária imaginação: se num elevador é demasiado complicado, pode experimentar-se o sofá da sala, a mesa da cozinha, a banheira…

Aprender o jogo

O jogo erótico constitui um excelente método de aprendizagem, já que aumenta a tensão, a concentração e a duração, o que possibilita um melhor conhecimento do corpo do parceiro e do nosso próprio, ajudando a descobrir aspetos desconhecidos da nossa criatividade.

O sentido de humor e o riso são componentes fundamentais de qualquer jogo que se preze: quando aplicado ao jogo do sexo, além de tonificar os músculos do diafragma, o riso afasta os medos e permite uma maior e mais livre entrega ao prazer.

Por último, há que ter confiança em nós próprios e nas nossas capacidades eróticas. Em suma, tirar partido do erotismo, com liberdade e imaginação, não só constitui uma extraordinária fonte de prazer, como também de saúde.

Leia o artigo completo na edição de junho 2020 (nº 306)