Um dos maiores sonhos de vida de grande parte dos casais é ter filhos. Alguns alcançam este sonho sem grandes dificuldades, mas outros são obrigados a enfrentar a batalha da infertilidade, problema que afeta mais de 300 mil casais em Portugal.

Como a infertilidade masculina já representa cerca de metade dos casos que chegam atualmente às clínicas de procriação medicamente assistida, o IVI Lisboa acaba de lançar um guia dirigido aos homens, com informações sobre as causas e os fatores que podem estar na origem da infertilidade masculina, além das soluções que existem para conquistarem o sonho da paternidade.

“Sabemos hoje que, em 30% dos casos, a infertilidade se deve a problemas da mulher e que, em outros 30% dos casos, o problema está nos homens. Em 25% dos casos, poderá ser pela combinação de fatores de ambos. Em 15% dos casos, mesmo após investigação clínica, não se consegue identificar a causa. Daí termos tido a iniciativa de criar um guia sobre infertilidade masculina, para informar e sensibilizar os homens, para desmistificar o tema e mostrar que há soluções”, explica a Dra. Susana Alves, diretora do Laboratório de Andrologia da Clínica IVI Lisboa.

Atualmente, entre 30 e 50% dos homens em idade fértil têm uma baixa qualidade seminal, de acordo com os valores estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde. O fator masculino é difícil de avaliar, uma vez que o espermograma nem sempre reflete a existência de um problema. Em alguns casos, ter hábitos de vida saudáveis, fazer uma dieta equilibrada e exercício físico diário podem ajudar a melhorar a qualidade do sémen.

De acordo com a especialista em Andrologia, “quando os tratamentos médicos ou as alterações dos estilos de vida não conseguem resolver o problema de infertilidade no homem, recomenda-se o recurso a técnicas de Medicina da Reprodução”. Existem várias opções, em função dos resultados do espermograma e dos diferentes exames físicos ou hormonais.

Entre as diferentes opções, está a inseminação artificial, indicada para casos de infertilidade ligeira. Para realizar esta técnica é necessário que a amostra de sémen tenha certos limites em termos de concentração e mobilidade de espermatozoides.

Para a grande maioria dos casais em que a infertilidade é masculina, é utilizada a fecundação in vitro. “Nestas situações, é utilizado um procedimento que se chama injeção intracitoplasmática de espermatozoides (ICSI), em que é injetado um único espermatozoide diretamente no ovócito. Graças a esta técnica, até 60% dos homens conseguem ter um filho”, realça a Dra. Susana Alves.

Quando não é possível utilizar o esperma do homem, a alternativa é o recurso a esperma doado. O banco de sémen é um serviço integrado nos centros de Medicina Reprodutiva que permite armazenar e conservar sémen congelado de doentes e/ou doadores para ser utilizado no momento oportuno. A bióloga refere que a utilização de sémen de dador no âmbito de um tratamento de fertilidade está indicada nos casos em que há ausência de espermatozoides (na ejaculação ou diretamente no testículo), quando há doenças imunitárias ou genéticas que não são tratáveis ou identificáveis por diagnóstico genético de pré-implantação, assim como em doenças transmissíveis pelo sémen (homens seropositivos para hepatite C ou VIH com lavagem seminal positiva).

A Dra. Susana Alves revela que, nas duas últimas décadas, tem vindo a aumentar a preservação da fertilidade masculina (congelar sémen), seja por razões médicas ou sociais. “Os tratamentos oncológicos, por exemplo, têm impacto na fertilidade e estão entre os casos em que a preservação está fortemente recomendada. No entanto, existem outras razões que estão a levar os homens à preservação de sémen, como a disforia de género ou mesmo para uma reprodução póstuma”, conclui.

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