O glaucoma é uma neuropatia ótica progressiva e irreversível que, se não tratada, leva à cegueira. É, atualmente, a segunda causa de cegueira em todo o mundo e a primeira causa de cegueira irreversível evitável.
A Organização Mundial de Saúde estima que entre 75 e 80 milhões de pessoas no Mundo sofram de glaucoma, das quais quase 4 milhões são consideradas cegas devido à doença (dados de 2020).
Como se trata de uma doença silenciosa que, com exceção do glaucoma agudo de ângulo fechado, não dá sintomas nem sinais nas fases precoces, estima-se que nos países desenvolvidos o diagnóstico só é realizado em cerca de 50% dos doentes. Em países pobres ou em desenvolvimento, a percentagem de doentes glaucomatosos não diagnosticados pode chegar a 90 por cento.
De acordo com análises epidemiológicas e dados de saúde pública disponíveis, calcula-se que, em Portugal, cerca de 200.000 pessoas sofram de glaucoma, metade das quais ainda não diagnosticadas.
Sabe-se, no entanto, que prevalência aumenta consideravelmente com a idade: cerca de 1% entre 40-49 anos, 3% entre 60-69 e cerca de 5% após os 70 anos.
A boa notícia é que o glaucoma tem tratamento e a cegueira pode ser evitada, se for diagnosticado e tratado precocemente.
Controlo da pressão intraocular
O nervo ótico é constituído pelas fibras nervosas que levam a informação visual, captada a nível da retina, até ao córtex cerebral, para ser processada; e, se lesado, morre, sem ser substituído. Daí que a cegueira provocada pelo glaucoma seja irreversível.
A pressão intraocular é o principal fator de risco para o desenvolvimento do glaucoma. O aumento da pressão intraocular leva à lesão das células ganglionares do nervo ótico. A pressão intraocular é também o único fator de risco que se pode modificar, de modo eficaz, quer por terapêutica médica quer cirúrgica. Isto explica a importância do controlo.
Sem cura, mas com tratamento
O glaucoma tem tratamento e este é tanto mais eficaz quanto mais cedo for instituído. É importante ter em mente que as lesões existentes no momento do diagnóstico não podem ser recuperadas e, uma vez o diagnóstico efetuado, a doença é considerada crónica.
Existem, essencialmente, três abordagens de tratamento: medicamentos, laser e cirurgia. Estas formas de tratamento podem ser usadas isoladamente ou em conjunto.
O tratamento médico é o primeiro recurso, com exceção do glaucoma agudo e glaucoma congénito. São usados colírios (gotas) e só excecionalmente comprimidos. Nos nossos dias, existem colírios com diferentes mecanismos de ação, dando a possibilidade de se obter benefícios importantes no controlo da pressão intraocular. A compreensão por parte do doente da sua doença e da necessidade do cumprimento da terapêutica é um fator crucial para o sucesso da mesma.
O tratamento cirúrgico tem indicação nas situações agudas; quando o valor da pressão intraocular é muito elevado; quando não se consegue o controlo da pressão intraocular com colírios; ou quando o doente não cumpre a medicação; e, por fim quando há progressão da doença independentemente do valor da pressão intraocular. Atualmente, existem diferentes modificações da técnica clássica, de forma a minimizar as complicações e/ou aumentar a eficácia da cirurgia. O objetivo da cirurgia é reduzir a pressão intraocular para valores que parem a progressão da doença pelo maior número possível de anos.
O tratamento Laser tem indicações específicas, embora já existam diferentes tipos de tratamento Laser para o glaucoma.
Leia o artigo completo na edição de março 2026 (nº 369)













