Estudo revela que a melhoria da diversidade e riqueza da microbiota intestinal está mais relacionada com tempo do que com a intensidade dedicada à atividade física. Um mínimo de duas horas e meia por semana de atividade ligeira a moderada pode ser suficiente para controlar o peso e a diabetes, ou ganhar mais defesas contra as inflamações.

Um estudo desenvolvido por investigadores do Canadá, Alemanha e Áustria sugere que quanto mais tempo dedicar à atividade física melhor será a saúde e diversidade da sua microbiota (flora) intestinal. E não precisa correr a maratona ou fazer exercícios físicos intensos. Basta que esteja em movimento até cinco horas por semana (mínimo duas horas e meia) para ganhar mais saúde e bem-estar.

Investigações anteriores já tinham permitido descobrir que os grandes atletas tinham uma microbiota diferente quando comparada com a das pessoas mais sedentárias. O que este estudo procurou saber foi qual o efeito para a saúde de uma atividade física mais moderada em pessoas magras e com excesso de peso, mas não obesas.

Para chegar a resultados, os investigadores recrutaram 350 homens e mulheres com idades entre os 38 e os 65 anos e dividiram-nos em dois grupos: um composto por pessoas com peso normal e outro com excesso de peso. Depois perguntaram que tipo de atividade física praticavam diariamente: ligeira (caminhar, lavar a loiça ou cozinhar), moderada (caminhada rápida, jardinagem, ciclismo, etc.) ou intensa (trabalhos pesados, corrida, musculação, basquetebol, futebol, etc.). Por fim, anotaram as horas dedicadas às atividades e analisaram as respetivas microbiotas intestinais.

BENEFÍCIOS MAIS EXPRESSIVOS NAS PESSOAS MAGRAS

Os resultados mostraram que a melhoria na diversidade e riqueza da microbiota está mais relacionada com o número de horas dedicadas à atividade física do que com a intensidade. No entanto, só nas pessoas com peso normal foram visíveis alterações na composição bacteriana. Neste grupo, os investigadores encontraram mais actinobactérias, um grupo de bactérias conhecido pelos seus benefícios cardiometabólicos, que ajuda na redução do colesterol. Foi também detetada mais produção de acetato, um ácido gordo de cadeia curta que, além de ser uma fonte de energia das células, interage com o sistema imunitário e está envolvido na comunicação entre o intestino e o cérebro. Encontraram ainda maior número de Collinsella, bactérias da família das actinobactérias, que protegem contra a permeabilidade intestinal e produzem butirato, outro ácido gordo de cadeia curta com propriedades anti-inflamatórias.

Nas mulheres, tanto nas magras como nas que apresentavam excesso de peso observou-se que quanto maior era a força de preensão (força na mão), mais as suas microbiotas continham Faecalibacterium prausnitzii, bactérias conhecidas pelas suas propriedades anti-inflamatórias.

O QUE A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE RECOMENDA

A atividade física é essencial para a saúde física e mental, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). No seu Plano de Ação Mundial para a Promoção da Atividade Física 2018-2030, a OMS refere que o sedentarismo representa um dos principais fatores de risco para mortalidade associada a doenças não transmissíveis. A atividade física regular pode ajudar a manter um peso saudável, a melhorar as habilidades musculares e a capacidade cardiorrespiratória, a saúde óssea e as habilidades funcionais. Pode ainda reduzir o risco de hipertensão, doença cardíaca coronária, acidente vascular cerebral, diabetes, vários tipos de cancro e depressão, assim como o risco de quedas e fraturas.

A OMS define atividade física como “qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que exija um dispêndio de energia”, quer seja realizado num contexto de trabalho, em tempos livres ou deslocações. Para obter benefícios, a OMS recomenda, pelo menos, 2h30 a 5 h por semana para uma atividade de “intensidade moderada”, ou 1h15 a 2h30 para uma atividade de “intensidade sustentada”. O ideal é uma combinação das duas para compensar os efeitos negativos de um estilo de vida sedentário.

FACTOS E NÚMEROS

  • Um em cada quatro adultos em todo o mundo não pratica atividade física nos níveis recomendados globalmente.
  • Pessoas com atividade física insuficiente têm um risco de morte 20% a 30% maior em comparação com aquelas que são suficientemente ativas.
  • Mais de 80% dos adolescentes em todo o mundo não praticam atividade física suficiente.
  • A atividade física melhora as habilidades de raciocínio e aprendizagem.
  • A atividade física garante um crescimento e desenvolvimento saudáveis ​​nos jovens.

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Fontes

  1. Shah S, Mu C, Moossavi S, et al. Physical activity-induced alterations of the gut microbiota are BMI dependent. FASEB J. 2023 Apr;37(4):e22882.
  2. Atividade física – Principais parâmetros de referência – OMS, outubro de 2022.

https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/physical-activity