Nos últimos anos, temos assistido a um foco crescente da Pneumologia na prevenção e na intervenção precoce. Mais do que tratar doenças respiratórias, os novos paradigmas procuram, se não evitar, detetar atempadamente os primeiros sintomas, uma aposta na promoção da saúde pulmonar individual e da própria comunidade.

Artigo da responsabilidade do Prof. Dr. José Alves. Presidente da Fundação Portuguesa do Pulmão

 

 

Cada vez mais se têm registado avanços significativos na compreensão, no diagnóstico e no tratamento das doenças respiratórias. Com o crescente desenvolvimento de tecnologias na área da tomografia e outras, hoje somos capazes de detetar padrões subtis de doença pulmonar, que nos permitem chegar a diagnósticos mais precisos e precoces.

Paralelamente, a medicina de precisão também avançou, trazendo consigo soluções como terapias-alvo ou imunoterapias inovadoras, procedimentos que hoje nos permitem tratar cada paciente com base nas suas características moleculares e genéticas.

Embora não substituam a medicina tradicional, a telemedicina e as consultas digitais também se têm revelado valiosas ferramentas. Entre outras vantagens, permitem a monotorização remota de pacientes e a partilha de informação, enquanto favorecem a colaboração entre equipas e profissionais de saúde.

Por último, nunca é demais lembrar a importância da vacinação: considerada o maior avanço da medicina moderna e uma das formas mais seguras, mais eficazes e menos dispendiosas de prevenir doenças infeciosas, as vacinas evitam, segundo Organização Mundial da Saúde, quatro mortes por minuto em todo o mundo. As doenças pulmonares não são exceção.

AVALIAÇÃO FUNCIONAL RESPIRATÓRIA: PARA IDENTIFICAR (E TRAVAR) PROBLEMAS

A avaliação regular da função respiratória permite-nos identificar precocemente eventuais anomalias. Após a consulta, um pneumologista pode recomendar exames como radiografias ao tórax (para avaliar a saúde pulmonar geral), tomografias computadorizadas ao tórax (para verificar sinais de cancro de pulmão ou enfisema, entre outros), broncoscopia (para examinar as vias respiratórias) e ecografias ao tórax (para estudar espaço pleural e espaço interior do tórax). Pode também prescrever um estudo da função respiratória, sendo o mais comum a espirometria.

Estes e outros testes ajudam os médicos a conhecer a capacidade respiratória do paciente, permitem a identificação de possíveis problemas respiratórios e a monitorização da progressão de doenças pulmonares ao longo do tempo.

DETEÇÃO LEVA AO TRATAMENTO

Detetadas as doenças, passamos ao tratamento. Também aqui tem havido grande evolução, sobretudo na área do cancro do pulmão. Altamente variável, o tratamento desta patologia depende de múltiplos fatores, como o estágio da doença, o tipo de cancro, a saúde geral do paciente e o seu estilo de vida. As opções de tratamento incluem procedimentos tão distintos como a cirurgia, a radioterapia, a quimioterapia, a imunoterapia ou as terapias-alvo.

Quanto mais cedo for detetada a doença, maior é a probabilidade de sobrevivência – daí a importância da realização regular de rastreios e de outro tipo de exames.

Em estágios iniciais, a cirurgia é a opção mais comum para remover o tumor. Em grande parte dos casos, é complementada por radioterapia para assegurar a destruição das células cancerígenas remanescentes.

No caso de estágios mais avançados, pode recorrer-se à quimioterapia, à imunoterapia ou às terapias-alvo para reduzir o tamanho do tumor, para controlar a disseminação da doença e/ou para aliviar sintomas.

Sempre que possível, e em qualquer situação, o tratamento do cancro do pulmão é personalizado, de forma a atender às necessidades individuais de cada um, com o objetivo de prolongar e melhorar a sobrevida.

Leia o artigo completo na edição de maio 2024 (nº 349)